Estimado Empresário e Gestor,
Neste artigo vimos-lhe falar da realidade das PME - Micro, Pequenas e Médias Empresas - referindo para tal algumas das mais preocupantes lacunas e oportunidades neste tipo de empresas. É um documento conciso que identificará limitações e necessidades mas que, também, dará dicas - “o que melhorar” - nestas empresas.
Metaforicamente, Portugal é actualmente apontado como um país do terceiro mundo no que respeita à sua situação empresarial… Pois, apesar de apresentarmos um nobre terceiro lugar em nascimentos de empresas no ranking europeu, temos também a maior taxa de mortalidade de negócios da Europa. Só em Agosto deste ano desapareceram mais de 5.200 PME e desde 2005 foram mais de 150.000…
Tendo em conta que as PME representam 99% do tecido empresarial nacional, são responsáveis por mais de 80% do emprego e por aproximadamente 70% da produção nacional, este é um panorama desolador que percorre abundantemente os media nacionais e internacionais acerca de Portugal.
No que respeita à performance, as PME saem também penalizadas devido a vários factores de natureza contextual, como sendo os negócios derrocados por falta de apoios, a fraca evolução tecnológica, uma contínua utilização de actividades obsoletas e o agravamento de custos de natureza fiscal e burocrática. A nível interno, surge com particular destaque a reduzida capacidade das PME para desenvolverem os seus próprios negócios!
É, neste sentido, que a inevitabilidade da mudança do paradigma de desenvolvimento cada vez mais se tem vindo a expressar, com muitas PME a sentirem a pressão na “primeira pessoa” - falir, conseguir sobreviver ou desenvolver o negócio -, o que, por sua vez, tem dado rumo à única solução viável para estas empresas: a INOVAÇÃO DO NEGÓCIO !
Mas, atenção, pois a inovação do negócio não se consubstancia apenas na introdução de novas tecnologias de informação, como é usualmente vulgarizado, mas em muito mais do que isso: assenta na constante evolução do negócio (novos produtos, inovação dos processos produtivos, capacidade de diferenciação, novas áreas estratégicas de negócio, etc.) e na capacidade de gestão e liderança que os empresários/gestores imprimem nas suas empresas.
Muitas vezes a errada percepção de que inovação é apenas evolução tecnológica ocorre dentro das PME fazendo com que sejam estas próprias a afastarem-se do caminho para o progresso.
Grande, o desafio que se coloca às PME ?
Esta pergunta é generalista mas a resposta é consensualmente unívoca: “sim”, apesar de poder ser menos complexa do que se cita nos dias de hoje.
Supondo que ficou indeciso acerca da pergunta anterior, e antes de firmar a sua resposta no “sim” ou “não”, considere os dados adicionais acerca da “gestão” e “liderança” nas PME: mais importante que possuirmos métodos de gestão (meras ferramentas de apoio) o gestor necessita de possuir as competências certas que lhe permitam interiorizar e impulsionar novos papéis inerentes à mudança. Alguns exemplos passam por aceitar e interiorizar a mudança” (flexibilidade), dinamizar a mudança em prol do negócio (gerir oportunidades e expectativas), focar os esforços da empresa em prol dos “novos” resultados expectáveis e ter capacidade para delinear “a nova estratégia do negócio na minha PME”.
Ora, muitas vezes para se conseguir tal operacionalização é necessário que os gestores se submetam a priori a um processo de transformação atitudinal que garanta que estes conseguem, por si mesmo, apreender e concretizar tais papéis. Neste campo muitas vezes começa-se pelo fim… quando se começa.
Competências dos gestores das PME
› Devido à força imposta pelas variáveis extrínsecas e intrínsecas às PME, torna-se obrigatório que os gestores possuam uma - clara - visão estratégica do futuro do seu negócio, i.e., para onde desejam conduzir as suas empresas;
› Simultaneamente, e da forma mais simples possível, deverão excluir do processo de gestão todo o “ruído” que impeça a sua focalização plena e constante nos resultados e nas áreas a desenvolver (indicadores de gestão; indicadores que meçam o grau de inovação/evolução do negócio; implementação de acções correctivas face a desvios; estabelecimento de planos de desenvolvimento para a empresa e para o negócio);
› Capacidade de discernimento no que respeita ao binómio “liquidez PME” versus “investimento em inovação do negócio PME”. O investimento pode ser de diversas espécies: financeiro, recursos humanos, tempo, actividades/processos, etc.
Com estes simples exemplos podemos verificar que os desafios apresentados às PME serão melhor superados caso estas possuam as adequadas ferramentas e competências-chave… a visão estratégica do negócio, a constante focalização na performance alcançada (na actividade corrente e no negócio), a existência e capacidade de utilização de ferramentas escrupulosamente pragmáticas que permitam os empresários ver e analisar “o todo e o detalhe”, gerir os resultados e a organização e,… desenvolver o negócio ! |